quinta-feira, 26 de junho de 2008

Um minuto

Abri e fechei rapidamente meus olhos, ofuscada com tua imagem e, então, me vi num átimo de segundo perdida em você.
Minha retina captou suas formas e naquele ínfimo momento tornou-me escrava de teu viver.
Vi teus olhos me fitarem, tua boca me sorrir. Te vi tornar-se parte de mim, sem que eu pudesse impedir.
Ouvi tua voz dizendo me amar, contando segredos de tua alma somente para desabafar.
Tudo capturei na memória, guardei no coração teus gestos de amor, alimentei minha alma com os sonhos que você me despertou.
Num mísero minuto tornei-me prisioneira de você. Fiz da minha vida sua vida e, pouco a pouco, me amarrei com nós inimagináveis.
Esqueci-me de mim, pois só havia você em minha mente, nas minhas retinas, nos meus sonhos, enfim, na minha alma.
Criei um mundo para você, idealizado naquele piscar de olhos que me aprisionou. Fiz, refiz meus sonhos e moldei-os em você.
Já não era mais eu, era você em mim, impregnando todos os meus poros, rondando meus dias, levando-me inabalavelmente para o fundo.
Num piscar de olhos eu te vi sem ver. Tua imagem irreal me seduziu e eu, como louca, persegui moinhos de vento.
Por você, eu caí mil vezes. Fui ao mais profundo abismo, distanciei-me de mim mesma e sofri. Magoei meu coração, fragmentei minha alma e dolorosamente caminhei a trilha de dor que eu mesma construí.
E você? Onde estava você enquanto eu ia ao inferno e voltava?
Você estava tal qual estátua: imóvel naquele momento que eternizei.

Hoje, olhos abertos, sonhos esfacelados, coração dolorido e sangrando, vejo-te pela segunda vez.
A fealdade da tua existência somente pode ser comparada a minha. Teu sorriso não é tão belo, teus olhos não brilham tanto, tua voz já não soa tão melodiosa.
Você não é mais eu, e eu já não sou você. Morri você em mim, com um grito mudo e repleto de dor.
Arranquei você do peito, e no coração ficou um imenso buraco, um vazio de não existência, uma ausência completa, absoluta de vida.
Minha vida por muitos momentos foi você, e você não era nada além de mim, uma projeção criada por minha imaginação.
Num breve minuto de criação te dei vida e agora retiro-a de ti. Num breve minuto, fui ao céu e ao inferno alimentando tua imagem. Agora não a quero mais, pois me vi num retrato feio, sem sonhos, sem vida, refletida em teus olhos sem amor.

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