Era uma vez uma princesa, seu nome era Amor. Ela cresceu ouvindo histórias contadas pela mãe sobre como iria conhecer seu príncipe encantado e por ele perdidamente se apaixonaria.
Amor não entendia porque a mãe falava assim, era muito nova para compreender. Mas adorava o som melodioso daquela voz e crescia feliz, achando que tudo seria maravilhoso como a mãe dizia.
Com o passar dos anos, Amor se tornou uma linda princesa. Lábios rosados, cabelos negros como a noite, olhos verdes como a relva ao amanhecer. Tudo nela era doçura, tudo era ternura e encanto. Sua voz doce encantava a todos, sua gentileza derretia o mais empedernido coração, lágrimas vinham aos olhos do mais duro guardião ao ver Amor passar. Seu frescor juvenil atraia olhares diversos, homens suspiravam, crianças corriam em busca de um carinho, mulheres admiravam a princesinha e a ela queriam copiar.
Amor encantava a todos, mas não se dava conta de seus encantos. Olhava o mundo ao seu redor com grande alegria, pois sabia que a felicidade a rodeava, tinha um grande coração e adorava correr livre pelos campos cobertos de flores.
Sua mãe continuava a contar-lhe histórias de grandes amores e ela sonhava com o dia em que seu coração se preencheria com esse sentimento.
Um baile foi marcado para apresentar Amor à corte. “É preciso encontrar seu príncipe encantado”, dizia o rei. “Não podemos esperar, Amor está cada vez mais bela, preciso preservá-la, achando um marido que a defenda”. E assim foi feito, o baile aconteceu, repleto de eleitos. Amor dançou e dançou, nos braços de todos passou, mas seu coração sequer palpitou.
“A culpa é sua”, disse o rei à rainha, “encheu-lhe a cabecinha com histórias e fantasias, agora minha filha só quer sonhos, mulher fizeste mal, como posso proteger Amor, se todos a cobiçam e ela a ninguém quer?”
“Marido não se apresse, Amor é especial. Logo ela estará com o coração repleto por alguém e você não terá com que se preocupar.”
“Espero que estejas certa, pois sinto minhas forças no fim, Amor precisa de proteção, pois é linda demais para esse mundo.”
Amor, alheia tudo não sabia o que fazer seu coração não batia por ninguém. Não entendia porque se tantos príncipes conheceu. Mal sabia ela que o destino lhe reservava um amor sem igual, algo que o reino cantaria em prosa e verso por séculos sem fim...
Numa última tentativa o rei convidou vários príncipes para seu castelo conhecer, ficando um período no reino, tentando Amor conhecer. A princesa não muito empolgada resolveu obedecer, queria muito encontrar alguém a quem pudesse verdadeiramente amar. Concordou com o pai que iria buscar em todos que conhecesse motivos para casar.
Chegou o dia enfim, caravanas chegavam de longe, comitivas coloridas alegravam todo o palácio e o jardim. Amor adora o colorido, mas seu coração estava confrangido, não queria aceitar casar para o rei agradar.
A noite um enorme banquete, um baile de máscara para descontrair. A mãe levou-lhe belo vestido, mas amor não queria se mostrar ainda. Vestida como pajem, lá se foi Amor ao banquete, misturada a multidão, comeu e bebeu sem ser reconhecida. Ouvia o burburinho de todos ao seu redor, querendo saber onde estava a princesa tão esperada para o pretendente conhecer.
Amor se divertia, anônima, não se deixava conhecer. Foi quando viu alguém que fez seu corpo todo tremer...
Os olhos não acreditam em tamanha beleza, formas perfeitas moldavam aquele ser. A princesa então, sentiu-se desfalecer. Não podia acreditar em seus olhos, só podia ser engano. Sentia o amor chegar, sussurrando em seus ouvidos: “vá até lá Amor, aquele é seu destino!”
Amor, trôpega, levantou-se, indo em direção aos olhos que a prendiam, sem lhe deixar opção. Um trêmulo sorriso iluminou-lhe os olhos e o coração disparou quando o veludo daquela voz seus sentidos tomou:
“Olá, bela criatura. Essas vestes de pajem não lhe cobrem a formosura. Percebo que és a mulher a quem todos procuram!”
“Como sabes que sou eu?”
“Um anjo me sussurrou, que Amor eu havia encontrado.”
Ambas sorriram e com os olhos iluminados, deram-se as mãos, seu destino estava selado.
A princesa que a queriam dar um príncipe encantado, encontrou a princesa que os deuses lhe haviam mandado.
Todo o palácio espantado sentiu-se embriagado. Amor e sua princesa uniram-se sob o luar encantado. Era tão forte o sentimento, tão puro e abençoado, que não houve uma só voz que lançasse um mau agouro. Era belo e intenso que o reino reconheceu Amor e sua princesa como um casal vindo de Deus!